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Há poucos dias, recebi de um amigo, um email contendo um link, que levava a um blog, onde se encontrava um vídeo do Youtube, com uma entrevista do cantor, compositor e escritor Chico Buarque. Soubera da existência deste vídeo no começo do ano, mas totalmente sem tempo, não havia assistido ainda. Fiquei entre a admiração, a comoção e de certa forma, alegria, por constatar, que ainda temos grandes pensadores na sociedade brasileira, e que ainda por cima é um artista, posto que, uma parcela mais que significativa de artistas brasileiros, da atualidade, com excessão dos rappers, of course, que talvez por isso mesmo, sejam ainda tão marginalizados, pecam pela total falta de politização e indiferença perante questões que são caras a todos nós. Sabendo disso, os interessados na perpetuação da nossa miséria social, política e cultural, sempre "convocam" determinados artistas para opinar sobre assuntos, que são caros e sensíveis a uma grande parcela da sociedade brasileira. Por falta de autocrítica, mega-egolatria, ingenuidade ou oportunismo, ao invés de passar a bola para alguém, que tenha mais conhecimento de causa, passar a palavra a quem por direito deveria tê-la - pessoas que são obrigadas a ocuparem-se desses temas espinhosos, não apenas por uma questão de retórica vazia, mas por uma questão de sobrevivência, por viverem, de fato, sob o jugo da dura realidade e restrições provenientes do racismo, em nosso país. Assim, por falta de vários princípios fundamentais, alguns artistas aceitam, egoisticamente, o papel de "advogado do capeta" e despejam irresponsavelmente, do ponto de vista social, a sua verborragia, tornando-se crentes. Crentes que estão abafando. Quando na verdade estão, apenas, fortalecendo a "opinião pública dos pretensos donos do poder", que usam o talento, a imagem e o poder de persuasão de tais artistas, perante as massas embrutecidas pela servidão, para legitimar propósitos escusos. Por isso, ouvir Chico Buarque falar é sinfonia, bálsamo, perfume, alimento para o espírito, alívio para as dores da alma, retorno da esperança, recobro da crença em Salvação, clarão de luz no fim do túnel. E foi assim, inebriada, comovida mesmo, pela abordagem de tema tão duro e torpe, que eu acabei escrevendo, meio sem querer, um breve comentário, rs,rs,rs, que segue abaixo, após os links do Youtube e do blog em questão, chamado "Em dia com a Cidadania", onde o vídeo está disponível para os que ainda não o assistiram. Imperdível! Salve Seo Chico Buarque!
http://www.youtube.com/watch?v=sD2sjAw9mlM http://www.emdiacomacidadania.com.br/post.php?titulo=chico-buarque-fala-sobre-o-racismo
Chico Buarque e o Racismo no Brasil
É fantástico que o cidadão Chico Buarque tenha a percepção exata e desafetada
de que ele não é branco. Apesar de festejado pelos seus
belos olhos azuis, ele se sabe mestiço, como a maioria
dos brasileiros que aqui nasceram e resultam de uma
mistura, que incluem indígenas, europeus e africanos.
Logo, sendo mestiço, seria uma espécie de "fratricídio"
negar Carlinhos Brown como sendo um igual.
Chico Buarque é o tipo humano que sintetiza a história da população brasileira, mas como ele mesmo afirma na entrevista "as pessoas não querem aceitar que ele não é
apenas branco".
E essa desobediência civil de Chico Buarque, sabemos, incomoda, e muito. Pois na realidade brasileira o que vemos são muitas famílias pseudo brancas, lutando para manter o que
consideram "branquitude", evitando a todo custo, casarem-se com pessoas "muito diferentes" fisicamente.
Todo mundo sabe como é... Nós não somos racistas... Mas, vez por outra, algum "corajoso" confessa que não gostaria de ter que passar cremes alisantes nos cabelos dos seus netos. É chegada a hora dos afros-decendentes de diversas matizes - pretos, quase pretos e quase brancos - falarem por si mesmos e atingirem a sua maioridade política e social, fazendo com que esse círculo viciado e vicioso se rompa de vez.
O reconhecimento de si mesmo, como ser humano, e também dos direitos - e deveres - de cidadão, serve como um antídoto, que fortalece o indivíduo contra ideologias baseadas em ódio, egoísmo e intolerância. Para todos os tipos de violências perpetradas contra seres humanos, por causa das suas diferenças, sejam essas violências reais ou simbólicas, torna-se necessário desenvolver ações afirmativas e positivas, que visem transformar idéias negativas e clichês sobre determinados grupos, trazendo á tona valores, costumes e contribuições, que esses grupos deram á humanidade, para que o olhar sobre os mesmos mudem gradativa e incessantemente, ao longo do tempo. Resta agora, saber, quando teremos uma adesão em massa, ás lutas anti-racistas neste país. Brasil! Mostre as suas caras! Beijo nos corações de todos e todas. Noemia Duque. 17/7/2008 14:02
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