Descortinando o Rio




O Dj e produtor Frankie Knuckles "Pai da House Music"

Navegando por uma rede social, numa quarta feira de fevereiro, no clímax do verão carioca, a algumas semanas do carnaval,  eis que me deparo com uma fly no perfil de um amigo dj anunciando uma conferência sobre música eletrônica.  Mirei, li, fui adiante. Voltei, li de novo. Algo brilhava naquela fly, que fez o meu coração pulsar mais rapidamente. Li, reli, e por fim vi que  era o prenuncio de algo bastante especial. Era a Rio Music Conference 2015, que segundo informa o site do evento “é o encontro da música eletrônica e entretenimento na América do Sul, que visa a convergência entre os profissionais destes setores e oferece oportunidades a quem deseja investir no mercado”. O evento acontece desde ano de 2009, mas só agora fomos apresentados pelas mãos do DJ MAM, um dos conferencistas do evento.

Fiquei em estado de êxtase, era o tipo de acontecimento que faltava em uma cidade como o Rio de Janeiro, o Rio é uma unanimidade no quesito vocação para o entretenimento, principalmente para eventos de grande porte. Sim, o Brasil tem um  evento internacional que  reúnem palestras, Rio Music Conference, e festival de música eletrônica, Rio Music Carnival, com uma estrutura muito bem organizada e uma equipe de profissionais que são referências na área, com edições, além do Rio, em SãoPaulo, Brasília, Curitiba, Belém, São Paulo e Recife. Corri para o Hotel Pestana. Entrei em contato com a produção para saber se era possível adquirir a credencial para este site. É fato, que as mídias eletrônicas ou digitais ocupam, no mundo atual,  um papel fundamental na difusão de informações, mas o número de veículos cadastrados em grandes eventos, que conseguem credenciais, variam de acordo com o critério de cada organização. E o prenúncio de ventura se confirmou no primeiro contato com a equipe do RMC. Consegui credenciar o meu site para o meu êxtase e felicidade. A partir dali, foi um mergulho no paraíso. A cada mesa, a cada tema discutido, a sensação era de que finalmente, a ideia de século XXI, tal como imaginávamos antes dos anos 2.0 se concretizava.


Abertura

Após as devidas considerações da palestra de abertura proferidas por Cláudio da Rocha Miranda Filho (RMC- Brasil) e João Anzolin (Hot Content – Brasil) na Sala Fusion, no dia 04-02, os trabalhos começaram com uma diversidade de temas com destaque especial para a palestra do baixista inglês Peter Hook, co-fundador do Joy Division e do New Order nos anos 70, bandas que influenciaram toda uma geração de músicos, sendo consideradas pioneiras na utilização da linguagem eletrônica em uma banda de rock, no período denominado como pós punk. Mas precisamente o New Order é conceituada como uma banda que amálgama pós punkeletrônica e synthpop. Seguindo a batida, teve a mesa sobre o “Rio 450 e o futuro da noite” sobre a sustentabilidade da cena musical na noite carioca, com as presenças de  promotores de eventos e gestores do entretenimento musical noturno no Rio de Janeiro como Cabbet Araújo (Fosfobox), Carol Sampaio (CS Eventos), Chico Dub (Novas Frequncias), Multi Randolph (Light Designer), Nepal (Apavaramento) com a mediação de Cláudio da Rocha Miranda Filho. Outra mesa muito instigante para quem vive e trabalha no Rio de Janeiro foi a “RMC Social – Inclusão Através da Música” com a presença do Secretário Municipal de Cultura do RJ, Robson Camilo, o dj Sanny Pitbull (Carioca Funk Clube), Roger Lyra (NRG), com mediação de Léo Janeiro (RMC). Mantendo o loop, o painel “Skol Music” elevou a temperatura, apresentando o projeto capitaneando por um pool de selos  apoiados pela marca Skol. Entre os debatedores, Coy Freitas (Skol Music), Davis (The Drone Lovers), Mahmundi (Stereomono), Omolu (Buuum Trax), mediados por Dudu Marote (Ganzá). Os temas discutidos nos painéis do dia foram diversos, abundantes e urgentes.



DJ Mari Zander                              DJ Vivi Seixas


Peter Hook

Confira aqui a entrevista que Peter Hook condedeu ao RMC 2015

http://www.riomusicconference.com.br/entrevistas/entrevista-exclusiva-peter-hook-rmc15/

o light designer Multi Randolph

No dia 05-02, o destaque da MPBZONA vai para as mesas “Your track in good hands”, com os debatedores Adriana Sein (Ultra Music-USA), L_cio (D-Edge Records -Brasil), Rod B. (Popart-Brasil), Roland Leesker (Get Physical Music – Alemanha) e Sonic Future (Toolroom – Brasil) com mediação de Dudu Marote, que discutiu estratégias eficientes para os djs fazerem suas produções chegarem ao destino certo e serem bem sucedidos em seus respectivos projetos. “A arte da gestão de carreira através das redes sociais”, uma valiosa consultoria para transformar as redes sociais em uma ferramenta de promoção do artista e como administrá-la. “O entretenimento e o Direito” tratou de questões relativas a regulamentação legal do trabalho dos músicos, tais como registro de marcas e eventos, contratos, cuidados com segurança e legalização de eventos, e a proteção dos direitos autorais dos músicos. Teve o momento “DR” com o painel “Nightlife” sobre os profissionais que trabalham na noite e como isso está relacionado aos seus estilos de vidas. Outro painel “Reinventando Através da Música”  tratou de temas transversais ao mercado musical, sobre como bons negócios e ideias criativas podem movimentar o mercado de trabalho criando oportunidades em diferentes áreas e teve  a participação do DJ MAM (Brazilian Lounge), George Israel (Kid Abelha), Igor Uzeda (Ogio), Mary Zander (RG FM) e Vivi Seixas (Strike Concert) mediados por Léo Janeiro (RMC). E o tema que não poderia faltar na edição Rio de Janeiro, “Bass Music”, que trata da chegada  da batida Miami bass, que deu origem à vertente carioca, o nosso familiar funk ou batidão , aos palcos principais de grandes festivais do mundo. Na mesa Dennis Dj (2N), Leo Justi (Heavy Baile), Marginal Men (Wobble), Omulu (Buuum Trax), Rodrigo S. (Wobble), com mediação de Renata Simões (Fashion TV).


Dj MAM                                                                  Dj Omulu

 No dia 06-02 entre os temas destaco “O CO-POP Cologne e a ADE Experince – Como as Cidades Podem Criar , Desenvolver e Manter uma cena Musical” sobre a sustentabilidade da indústria criativa da música em locais que são ou podem vir a tornar-se polos turísticos e como administrar a relação com o espaço público e a administração do poder local. Participaram dessa mesa Mirik Mila (Night Mayor of Amsterdam – Holanda), Ralph Christoph (CO-POP Festival – Alemanha) e representantes da Secretaria Municipal de Cultura do RJ, mediados por Gary Smith (RMC-França). E para fechar a tampa do último dia, entre tantas mesas não menos relevantes, pontuo “DJ ou Artista?” que debateu a distinção de nomenclatura e a diferença de procedimento entre ambas para obter sucesso no cenário da música eletrônica. O tema foi debatido por Guilherme Tannenbaum (Brasilive-Brasil), Jakko (Entourage – Brasil), Roger Lyra (NRG Music – Brasil) e Marcelo Arditti (Entourage – Brasil), com mediação de Bruna Calegari (Hot Content – Brasil).

Rebobinando

Dois momentos dentro da programação do dia 05-02, merecem especiais destaques, a primeira tornou-se  o epicentro da fervura devido ao tema debatido “”The B-Side- A cena underground continua sendo relevante atualmente ?”  momento que pode ser eleito como uma das imagens mais orgânicas dessa edição, ao lado da participação luxuosa  de Peter Hook. Nesse painel, a “rivalidade” entre a EDM e a vertente undergrond aflorou com seu humor e ironia característicos para delírio da plateia. Antes do debate houve uma postagem numa rede social onde aparecia uma foto de um pedaço de papel no fundo de uma privada onde lia-se EDM. Mais pós-punk impossível. A discussão sobre as naturezas das vertentes dançante x conceitual pode ser debatida com paixão, mas o fato é que o set de Seth Troxler, The Martinez Brothers e Renato Ratier nada fica a dever ao de Alesso, Tiesto, Dimitri Vegas & Like Mike, a questão conceitual nesse caso não seria um problema, mas sim uma questão de escolha e visão artística. Logo, o debate é mais que saudável. “The B-Side – A Cena Underground Continua Sendo Relevante Atualmente ?” teve as participações de pesos pesados da cena como Craig Pettigrew (BPM Festival, México), Gui Borato (D.O.C. – Brasil), Gustavo Conti (Warung Beach Club- Brasil), Jon Berry (Kompakt – Alemanha), Reanato Ratier (D-Edge, Brasil) mediados por Nick DeCosemo (Mixmag – Reino Unido). Essa edição teve como homenageado o DJ e produtor norte americano Frankie Knuckles, precursor da música eletrônica nos anos 70,  considerado Pai da House music,  Knuckles morreu em 31 de março de 2014 aos 59 anos. Foi uma edição bastante especial pela homenagem a Knuckles e pela presença do já citado Hook, cuja session na party after à premiação anual,  na cobertura do Pestana, com direito a uma vista deslumbrante da Praia de Copacabana, foi um momento para ser guardado no nosso baú de relíquias imateriais.

Contudo, porém, todavia, outrossim, como diria outro divo pré-pós-punk, o bowieano Jorge Mautner, não poderia deixar de citar uma figura que foi uma espécie de Epifania para este site. A descoberta do Dj Seth Troxler foi faca na caveira. Durante o evento, as atrações do Rio Music Carnival  eram anunciadas no site do RMC e um rosto chamava a atenção pelas fotos nada convencionais. Contudo, na correria dos três dias de evento era impossível prestar atenção em detalhes alheios às informações urgentes. However, no último dia do evento, após participar de um workshop da Aimec, com o instrutor Rafael Araújo, onde conheci o Ableton Live, aparato muy amigo dos djs,  principalmente os iniciantes, dei uma volta pelo saguão do Hotel Pestana, já curtindo aquele clima de fim de um ciclo que anunciava outro, esbarrei com um homem afrodescendente, de bigode à la Salvador Dalí e um quê de Basquiat,  e que sorria na minha direção. Hein? Fiquei intrigada. Olhei em volta para certificar-me de que era realmente para mim que o desconhecido enviava aquele sorriso tão encantador e simpático. Well, there was nobody behind me, então, sem saber o que fazer, achei melhor sorrir de volta, discretamente. Dei mais umas voltinhas e encontrei o mesmo personagem again, sempre sorridente, que me cumprimentou, again, com uma alegria adolescente, como se estivesse se divertindo muito com aquilo.


Seth Troxler

Fiquei intrigada, mas a consciência do dever falou mais alto, quando vi estava me dirigindo à saída do hotel, apinhada de participantes, que logo iriam  partir para a night para tocar e ouvir um som nas várias casas de shows pela cidade, que faziam parte do "ClubWeekRio, parceria do evento com estabelecimetos cariocas voltados para o entretenimento noturno". Luz de led sobre o show de Peter Hook, quinta à noite, em uma casa de show em Copacabana, ponto alto da programação. Já na rua fiquei imaginando quem seria aquele homem engraçado, com aquele bigode á la Dalí, que sorria igual a um adolescente arteiro. Ao chegar em casa, entrei no site do RMC para começar a escrever o meu texto sobre o evento e de repente dou de cara com uma foto de um homem pelado! Pe-la-do! Como um bebê vem ao mundo. Sem nada a nos “afrontar”, contudo. Olhei de novo. Era ele! Seth Troxler seu nome.

Hein? Li tudo sobre.


A sensação após descobrir quem era o personagem, ouvir suas produções, ler sua biografia, era: como eu pude viver até agora, sem saber da existência desse ser humano? Pronto, Nasceu mais um muso para a galeria estrelada do site MPBZONA na edição do RMC 2015. Meus verões nunca mais serão os mesmos. Espero que os de vocês também sigam aquecidos e iluminados.

 Luv e-music, babies!

Hein?

Exuzão!

Hard stick!


 Noêmia Duque.

Rio de Janeiro, 07-02-2015

 

 

 Leia o resumo sobre a noite de encerramento do RMCarnival 2015

Clube D-Edge fortalecendo a cena