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Esu tem a Força e detém o Poder da Comunicação |
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Há algum tempo, venho postando neste site, artigos, reportagens, entrevistas, ensaios, e sem nenhuma intenção de ferir egos, “crônicas musicais”. Bem, até aí, nada demais. Porque as pessoas que costumam utilizar esta, já nem tão nova assim, ferramenta de comunicação tecnológica, sabem que não é tão difícil ter um site hoje em dia. Um blog, então, nem se fala. E utilizar esses tipos de veículos para disseminar idéias, das mais diversas formas, tornou-se fato bastante comum. Ainda bem, porque como dizia o apresentador (e filósofo) Chacrinha, "quem não se comunica, se trumbica". Logo, se comunicar é preciso. E, depois de muita (ou pouca) luta, dependendo de uma série de fatores, alguns destes veículos de comunicação internéticos, o site MPBZona incluso, conseguem, finalmente, ultrapassar a marca dos "dezoito leitores", que eu prefiro chamar de "dezoito parceiros”, que é, mais ou menos, a marca de reconhecimento estabelecida por um conhecido colunista de um jornal carioca de circulação nacional. Isto, porque, via Internet, a reprodução da informação tem uma capacidade viral. Voltando ao assunto deste, digamos, “ensaio”, o fato é que eu tenho escrito aqui, (nada) humildemente, sobre assuntos que interessa a quem gosta de música. Ou não. Fato é, que, eu comecei a escrever, como é natural em “ensaios”, por pura necessidade de exercício mental e também de me corresponder com meus “parceiros" virtuais ou não. Assim, tenho escrito pensando que as minhas palavras serão lidas e interpretadas por leitores já iniciados na arte da Filosofia. Crente, mas não abafando, tenho utilizado livremente o bordão “Exuzão! Pau Durão!”, despreocupadamente, sem o menor receio ou constrangimento, e, logicamente, sem achar que algum dia precisaria pedir desculpas a quem quer que seja, pois jamais imaginei que esse bordão que exalta o poder fálico, mas que não necessariamente tem relação literal com o órgão sexual masculino, poderia ser deturpado e levado para o lado obscuro da força. Sinto decepcioná-los(as) babies, mas o pau cultuado neste cyberspace, não tem o grau de concretude que alguns vislumbraram de antemão. E muita gente boa deve ter se confundido com o tema. A força do pau cultuado nestas sinuosas linhas diz respeito a um “pau filosófico”, logo abstrato.
Naturalmente, por associação de idéias, alguns leitores chegaram a sentir cheiro de uma possível conotação de fundo sexual, o que não é nenhum sacrilégio, já que a própria forma de abordagem do tema soa herética, por se tratar de um termo que descreve, à maneira popular, uma parte, por assim dizer, pudenda da anatomia masculina. Junte-se a isso uma alusão à crença religiosa de origem africana. Mas este é um "culto ao pau" que não simboliza o grotesco, e sim o sublime. É poesia em estado puro!
Especificamente neste caso, a potência aqui exaltada, não é puramente sexual. O que tenho escrito aqui, utilizando o bordão "Hein? Exuzão! Pau Durão!”, não é uma tentativa chula de acompanhar a qualquer custo, a exacerbação da sexualidade que tomou conta dos nossos dias. É uma “ode” à força criativa e criadora da arte e seu poder de comunicação. Isto porque Exu dentro da liturgia do Candomblé, é o Senhor dos Caminhos, o Mensageiro, também chamado de “Senhor da Comunicação”. Sem a energia simbolizada pelo pau em estado de ereção ( que em outro aspecto atribuído a esse Orixá, também pode simbolizar a fecundação), não existe criação. Exu é responsável por ligar as tomadas, plugar, fazer a energia circular e pela sua interconexão. É Ele quem canaliza e distribui a energia comunicativa, sendo responsável, no plano das idéias, pela intertextualidade. E não gosta de brincadeira, que o “bagulho" é (muito) sério. Com ele, escreveu não leu, o pau comeu! Please, sem trocadilhos, si vous plaît!
Bem, estou escrevendo estas (muito bem) traçadas linhas, porque tenho ouvidos bastante atentos e olhos muito bem abertos. E porque, segundo os meus "dezoito parceiros", o que escrevo às vezes provoca risos amarelos, e por vezes nervosos, em alguns homens (e até mulheres). Segundo esses “dezoito parceiros”, são pessoas que se sentem desconfortáveis com a situação, posto que, este continua sendo um assunto incômodo na nossa sociedade, a questão da ereção masculina. É uma pena que isso aconteça, sinto muito por todos os desavisados, não iniciados. Pois, se eles assim os fossem, perceberiam de antemão, que não existe por parte de quem vos escreve, nenhuma tentativa de destruir egos masculinos, que não escrevo para aviltar quem quer que seja, homem ou mulher, que eu simplesmente adoro e respeito os homens. Of course aqueles que merecem esse respeito. Mas aqui, só levo em consideração os que merecem. Os que não merecem, simplesmente ignoro, não escrevo a respeito.
Jamais escreveria algo para diminuir os artistas que citei aqui neste site, não perderia o precioso tempo da minha existência com isso. Tenho coisas muito mais substanciais e produtivas para fazer na vida, do que ficar tentando avacalhar pessoas ou "mandando letras" enviesadas. Não sou uma mulher descerebrada, tampouco desocupada. Neste espaço, a idéia é justamente oposta, a idéia aqui é levantar a(o) moral masculina(o) - fiquem à vontade para fazerem o trocadilho que quiserem. Levantar sim, mas não de forma gratuita, não se trata de "dar mole" para esse ou aquele indivíduo. Pois, para isso existem formas menos trabalhosas e mais eficazes do que escrever. Mas, o fato é que esta não é a proposta, nem o objetivo deste site/coluna.
Contudo, reações contrárias e mal-entendidos por parte de alguns leitores são compreensíveis. Outro dia, que no tempo baiano quer dizer, aproximadamente, uns dois anos (quem não estiver incluído entre os meus “dezoito parceiros”, ou seja, não for iniciado, e não estiver entendendo a construção “que no tempo baiano”, deve ler o artigo anterior "Dê Licença" como ritual de iniciação), eu li em algum lugar o título de uma música de Tati Quebra Barraco chamada “Palmolão”. Assim mesmo, “pal” com “l”. Ri à beça, pois esse é o objetivo da letra: soar engraçado. Apesar do tema ser controverso, e de certa forma aumentar o risco de ajudar a piorar a imagem, não muito positiva, que certas pessoas tem do estilo, o funk tem esse lado jocoso, que é justamente para não ser levado a sério, de tratar temas tabus com leveza. É uma questão de boa ou má vontade, façam suas apostas.
O que escrevo aqui, por razões inversas às supracitadas, também não deve ser tomado a "sério", isto é, ao “pé da letra”, pois trata-se de linguagem conotativa, logo passível de várias acepções. Mas, delimitemos de comum acordo, que o sentido original é poético, abstrato e positivo. Então, fica o leitor(a)-parceiro(a) "comprometidos" a não levar o que está escrito nos artigos da Coluna MPBZona deste site, para o lado ofensivo, nem detrator, sob hipótese alguma. Eu escrevo sobre o tema com leveza e sem peso na consciência, porque descobri que, ao contrário do que tem preconizado o Dr. Sigmund Freud, eu NÃO tenho “inveja do pau”. É mais fácil eu, enquanto mulher, ter até uma pontiiinha de inveja do sapato Manolo Blahnik, da bolsa Prada, do perfume Chanel, do relógio Bvlgari. Uau! Entre outros mimos, que as mulheres de poder aquisitivo alto adoram ostentar. Afinal de contas, eu sou mulher! Se tirar todas as características comuns a nosotras, a gente vira o quê?
Uma vez mulher, sempre mulher, por isso, também amo a beleza. Pois nós, mulheres, sabemos a importância que a beleza e a aparência tem nas nossas vidas, ou pelo menos a importância que damos a elas. Para nós a perda ou ausência de beleza é algo bastante sério, problemático. Mas, assim como não tenho "inveja do pau"* (deveria?), sei que não serei menos feliz, caso não possa ostentar os itens descritos acima. Que eu sou mulher, mas não desprovida de inteligência. Sei que o poder de compra pode até ser um símbolo de status social para alguns/algumas, mas sei também, que isso, por si só, não faz de ninguém um ser humano respeitável. Não sou adepta da máxima “me digas o que tu vestes, que eu te direi quem és”. Amo a beleza física, sem dúvida, e valorizo, até certo ponto, a aparência. Contudo, valorizo e prezo ainda mais, a beleza espiritual. Etiquetas, valorizo mais as ético-morais. Pois todas as outras estão fadadas a virar lixo em algum momento. Então, penso que além de boa aparência, seria de muito bom gosto, acrescentar um importante item, ao kit básico de sobrevivência da mulher que vive no mundo atual, tão conturbado e carente de solidariedade humana: ótima essência.
Parece que tudo é uma questão...Filosófica. É verdade que para uma mulher, escrever sobre temas masculinos, e até mesmo femininos, não é fácil. Tem que ter “farinha na cuia". Filosoficamente falando. Pois, certos temas intrigam os leitores iniciados, escandalizam os desavisados, assustam os amigos e podem até acabar por afugentar algum possível pretendente. São, no fundo, no fundo, verdadeiras cascas de bananas que se interpõem no nosso caminho evolutivo. Logo, deve-se pisar com bastante cuidado para não levar um escorregão da vida. Mas, a despeito de tudo, nós, amantes da Filosofia, não nos cansamos, nem desistimos de filosofar, porque filosofar não é jogar conversa fora, é, como diria a jornalista Scarlet Moon, “jogar conversa dentro”. Abalo! Filosofar com o objetivo especialíssimo de nos aprimorarmos como seres humanos, jogando luz sobre as obscuridades da alma e desfazendo os nós que vão ganhando forma durante a nossa existência. Então, mulheres, pelo bem da Humanidade, deixemos o nosso legado... Filosofemos! E como eu tenho dado bastante espaço à ala masculina, terminarei fortalecendo o grupo a que pertenço, só para firmar e confirmar: Todo Poder às Mulheres! Poder com 'P' Maiúsculo, no presente contexto, sem 'h'. Nós queremos muito Poder! Beijo em todos e todas. Ase Odara. Noemia Duque. Rio de Janeiro, 13 de dezembro de 2009.
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